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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ADENOMIOSE

Adenomiose ocorre quando células do revestimento do útero (endométrio) crescem na parede muscular do útero, onde não ocorreria normalmente.

Quando o endométrio descama no período menstrual, essas células na parede muscular do útero também sangram formando um acumulo de sangue, isso gera uma irritação no local, em resposta a essa irritação cria-se um tecido fibroso.



A adenomiose pode aparecer de duas formas, sendo que essas duas formas podem coexistir.

  • Adenomiose Focal: Acontece quando há a formação do chamado adenomioma, uma massa localizada dentro do miométrio (parede muscular uterina), muitas vezes confundido com mioma nos exames de imagem. 
  • Adenomiose Difusa: Acontece quando grande parte ou todo útero é afetado, provocando o aumento do órgão. 


Sintomas

A adenomiose pode não causar sintomas, mas quando existem eles podem ser: 

  • Aumento do útero - pode ser generalizado como um útero grande ou um aumento localizado como tumores. 
  • Dor pélvica e cólica - mais comum durante a menstruação, porém podem ocorrer em outro momento do ciclo. 
  • Sangramento menstrual anormal - podendo ser de fluxo intenso ou uma menstruação prolongada, presença de coágulos. Com o avanço da doença podem ocorrer sangramentos em qualquer período do ciclo. 

Diagnóstico

Frequentemente a adenomiose é um achado acidental sem suspeitas clinicas. No entanto a Ressonância Magnética tem se mostrado uma fonte eficaz de diagnóstico, capaz de identificar a presença e a extensão da adenomiose. A ultrassonografia de alta resolução, realizada por profissional experiente, também fornece um diagnóstico preciso.


Tratamento

Todo tratamento medicamentoso para adenomiose é temporário e utilizado para aliviar os sintomas, após interrupção do tratamento os sintomas tendem a voltar.

  •  Utilização de agonistas GnRH (ver mais no post sobre zoladex) que induz uma menopausa temporária e consequentemente alívio dos sintomas. 
  •  Anticoncepcionais de uso contínuos/DIU Mirena, ajuda a aliviar a dor e o sangramento. 

O único tratamento realmente eficaz para adenomiose é cirúrgico, quando a adenomiose acontece na forma focal pode ser removido cirurgicamente o adenomioma. Mas nas situações em que grande parte do útero é afetada e há presença de sintomas como dor e sangramento anormal a histerectomia (retirada do útero) pode ser indicada. 


Pesquisa e Edição: Lívia Lorenzini Lazarini
Publicação: Endometriose Brasil



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Cistos de Ovário e Endometriomas

Existem vários tipos de cisto de ovário, os mais comuns são:

  • Cisto Folicular ou Funcional 
  • Cisto de Corpo Lúteo 
  • Endometrioma ou Cisto de Chocolate

Cisto Folicular ou Funcional

Cada vez que um óvulo é produzido se forma um pequeno cisto no ovário. O cisto geralmente é pequeno e se rompe ao liberar o óvulo durante a ovulação. Se o cisto não romper pode continuar a crescer, porém raramente crescem mais que 8cm e normalmente tendem a encolher após a ovulação e desaparecer por completo com 3 ou 6 semana.


Cisto de Corpo Lúteo

Os cistos de Corpo Lúteo são menos comum do que os cistos funcionais. Após liberar o óvulo o folículo permanece no ovário e se transforma em uma glândula que produz hormônios necessários para o desenvolvimento inicial da gravidez chamada de corpo Lúteo ou corpo amarelo. Não ocorrendo a gravidez a glândula desaparece naturalmente, porém em alguns casos mesmo não acontecendo a gravidez ele pode se encher de fluidos e permanecer no ovário e ai chamamos de Cisto de Corpo Lúteo.

O cisto de corpo Lúteo pode provocar dores, mas há casos assintomáticos. Pode se romper durante o ato sexual, ou após o ciclo menstrual, sua ruptura pode provocar uma dor muito aguda. Existem alguns casos onde se faz necessária uma cirurgia para remover o cisto.


Endometrioma ou Cisto de Chocolate

Apesar de atrativo o nome “cisto de chocolate” não há nada de bom neste tipo de cisto.

Os endometriomas também podem ser chamados de endometriose de ovário. São minúsculos implantes de células de endométrio que reveste uma camada dentro do útero e que por motivos não muito bem esclarecidos se transplantam na parte externa do ovário. Esses implantes respondem a estimulação hormonal que acontece durante o ciclo menstrual e podem ir se desenvolvendo em tamanho e também produzindo novos pequenos cistos que podem ocupar ou até mesmo substituir o tecido ovariano normal.

Os endometriomas são preenchidos com um material de cor e espessura parecida com chocolate derretido, daí o nome Cisto de Chocolate. Quando esse tipo de cisto se rompe o liquido que lembra o chocolate transborda pela pélvis, superfície do útero, bexiga, intestino ocasionando aderências e dores pélvicas.


Imagem de Videolaparoscopia 


Diagnóstico

O diagnóstico dos 3 cistos: Cisto Funcional, Cisto de Corpo Lúteo e Endometrioma, podem se dar através de Ultrassonografia, porém se faz necessário um médico experiente na realização do exame para confirmar se o cisto se trata de um endometrioma. Outros exames podem ser pedidos pelo ginecologista a fim de esclarecer qualquer duvida.


Tratamento

O tratamento do cisto funcional e o cisto de corpo lúteo é a monitoração através de exames e ultrassonografia, analgésicos prescritos pelo médico em caso de dor.

Para o endometrioma o tratamento depende dos sintomas da paciente, do tamanho do cisto e do desejo de gravidez. Em alguns casos será prescrito medicação para que o endometrioma diminua e a monitoração através de ultrassonografia. Outros casos se torna necessário a realização de cirurgia via videolaparoscopia para retirada do endometrioma. Geralmente pacientes com endometrioma de ovário possuem endometriose. 



Portanto confirmado o diagnóstico de endometrioma o mais sensato é a pesquisa através de Ressonância Magnética e outros exames complementares para confirmar a presença de endometriose em outras áreas abdominais e pélvicas como: bexiga, intestino, septo reto-vaginal, vagina e etc.



Pesquisa e Edição: Lívia Lorenzini Lazarini
Publicação:  Endometriose Brasil

sábado, 8 de outubro de 2011

Endometriose Cutânea

Geralmente a endometriose cutânea ocorre em uma cicatriz cirúrgica de procedimentos abdominais ou pélvicos como: Laparoscopias e cesarianas. A incidência é maior em cicatriz cirúrgica umbilical.

A provável explicação é que durante o ato cirúrgico células endometriais se alojam no local da incisão e com o decorrer do tempo se desenvolvem.

Porém existem casos de endometriose cutânea espontânea, ou seja, em locais que anteriormente não houve incisões cirúrgicas. Nesses casos o tecido endometrial é transportado através de canais linfáticos e vasculares.

A endometriose cutânea se apresenta como um nódulo doloroso de crescimento lento, geralmente em uma cicatriz cirúrgica ou próxima a ela. Pode haver sangramento ou não que coincide com o período menstrual. 

Esse nódulo pode se apresentar de cor castanha que lembra chocolate ou de cor azulada parecido com a cor de hematoma. Porém há registros onde o crescimento do nódulo se deu de forma rápida e sem dor.

Endometriose Cutânea em cicatriz umbilical
Endometriose Cutânea Umbilical
Endometriose Cutânea Umbilical

* Endometriose Cutânea em cicatriz de cesariana

Pela endometriose cutânea se apresentar na maioria dos casos em cicatrizes cirúrgicas quase sempre elas são confundidas com hérnias incisional, granuloma de sutura ou abscesso, pois a endometriose cutânea não é bem reconhecida pelos cirurgiões gerais. 

O diagnóstico então só é feito após retirada e análise histopatológica. A cirurgia é simples com anestesia local. Porém se faz necessária uma investigação criteriosa a fim de descobrir a existência de endometriose em outras localidades, principalmente na área pélvica.


Pesquisa e Edição: Lívia Lorenzini Lazarini 
Publicação: Endometriose Brasil 


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

ENDOMETRIOSE DO NERVO CIÁTICO

O nervo ciático é o principal nervo dos membros inferiores. É ele que controla as articulações do quadril, joelho e tornozelo, controla também os músculos posteriores da coxa, os músculos da perna e do pé.

O nervo ciático é o mais longo do corpo humano, ele liga o hálux (dedão do pé) à região lombar.



Endometriose do nervo ciático é um caso de endometriose extra pélvica, sendo relativamente recente sua primeira descrição na medicina, em 1955.

O foco de endometriose se implanta no nervo ciático e tem o mesmo comportamento que teria se estivesse no útero: sangrando, porém neste caso sobre o nervo ciático.


Sintomas:
  • O principal sintoma é dor no quadril e dor que irradia da nádega para a perna, sintoma que se assemelha a outras patologias do nervo ciático, como a hérnia de disco, com a diferença que no caso da endometriose do nervo ciático as dores começam pouco antes da menstruação e dura vários dias após o término do fluxo. 
  • Dores nas pernas ao caminhar por longas distâncias. 
  • Geralmente há uma história anterior de endometriose pélvica. 

A endometriose na região da virilha também pode ocasionar dor no quadril.

Diagnóstico:

Alguns diagnósticos são feitos através de exames como ressonância magnética e tomografia, porém existem alguns casos em que o diagnóstico só pode ser feito através da visualização.

Tratamento:

O tratamento geralmente é cirúrgico para remover os implantes endometriais na esperança de aliviar a dor.

Com o tempo se a endometriose do nervo ciático não for tratada pode levar dores progressivas e constantes mesmo fora do período menstrual.

A descoberta precoce é fundamental para evitar danos permanentes ao nervo ciático.

Revisão: Dr. Welington Alberto Balla
Pesquisa e Edição: Lívia Lorenzini Lazarini
Publicação: Endometriose Brasil

segunda-feira, 25 de julho de 2011

ENDOMETRIOSE DE DIAFRAGMA

O diafragma é um músculo fino que separa a cavidade torácica (coração, pulmões e costelas) da cavidade abdominal e desempenha uma função importante na respiração . Durante a inalação o diafragma se contrai, aumentando assim a cavidade torácica criando uma sucção que aspira o ar no pulmão.

A maioria dos casos de endometriose envolvem a área pélvica, no entanto, a doença pode ocorrer em outras partes do corpo, chamadas de endometriose extra pélvica. Mesmo em outras localidades a doença se comporta como se estivesse na área pelve. 

Ocasionalmente a endometriose pode afetar o diafragma, porém devido a distância da área pélvica os sintomas não são associados a menstruação, portanto não mencionam aos ginecologistas dificultando o diagnóstico.

diaphragm: diafragma
liver: fígado
Lesões de endometriose no diafragma


Sintomas: 

  • Dor no ombro: são dores crônicas no ombro direito, a dor aumenta gradualmente e coincide com o período menstrual. No entanto, ao longo do tempo, pode ocorrer dor de baixo grau constante durante todo o mês. A dor pode também se espalhar para os braços e pescoço. 
  • Dor no peito: Que irradia, muitas vezes no lado direito.
  • Dor abdominal superior.
  • Dificuldade de deitar: A endometriose de diafragma pode causar dor quando deitado, o que gera graves problemas para dormir. 
  • Tosse com sangue: ou expectoração com sangue. 

Diagnóstico: 

Grande parte dos diagnósticos de endometriose de diafragma é feito durante realização de videolaparoscopia para tratamento de endometriose pélvica. Somente durante a cirurgia são visualizados os focos no diafragma.  Mas o diagnóstico pode ser obtido através de ressonância magnética.

Tratamento: 

O tratamento vai depender do grau de lesões e sintomas, porém geralmente é necessário a realização de videolaparoscopia para retirada das lesões.

É extremamente importante procurar tratamento especialisado para qualquer tipo de endometriose, no caso da endometriose de diafragma o agravamento pode levar a pneumotórax, hemotórax, e outros problemas respiratórios. 


Pesquisa e Edição: Lívia Lorenzini Lazarini
Publicação: Endometriose Brasil

terça-feira, 19 de julho de 2011

ENDOMETRIOSE DO TRATO URINÁRIO

Frequentemente vemos portadoras de endometriose com problemas urinários. Algumas relatam desconfortos leves como ardência ao urinar, outras apresentam sintomas graves de dores absurdas e retenção de urina. O diagnóstico da endometriose no trato urinário, assim como em qualquer outra parte do organismo é complicado, pois por muitas vezes a endometriose no trato urinário levam a sintomas que é confundido com a infecção urinária. Mesmo quando a paciente já sabe que é portadora de endometriose o fato de ter sintomas urinários muitas vezes é despresado pela equipe médica. O fato é que quando se chega ao diagnóstico correto geralmente a paciente se encontra em um estágio avançado da doença.

Os principais sintomas da endometriose no trato urinário são:

· Piúria (pus na urina)
· Disúria (dor ou ardor ao urinar)
· Dispareunia (dor na relação sexual)
· Dor no flanco irradiando em direção a virilha
· Hematúria (sangue na urina)
· Febre
· Sensibilidade ao redor da bexiga e/ou rins
· Freqüência urinária
· Urgência ou retenção urinária

Diagnóstico

O diagnóstico é feito através de ressonância magnética, citoscopia (procedimento onde se introduz um citoscópio na uretra até a bexiga) ou videolaparoscopia.

Tratamento

O tratamento clínico com o bloqueamento da menstruação melhora os sintomas, porém assim que o tratamento é interrompido os sintomas retornam.

O tratamento mais eficaz é o cirúrgico, através da videolaparoscopia retira-se o nódulo de endometriose, em alguns casos é necessário a realização da cistectomia parcial que é a retirada de parte da bexiga, neste caso a paciente permanece sondada entre 10 e 14 dias.


Se não tratada a endometriose do trato urinário pode causar complicações sérias como: Obstrução de ureter, hidronefrose (distensão da pelve renal, que é uma parte do rim que coleta a urina filtrada pelos rins), lesões renais irreversíveis e perda permanente da função renal ou da bexiga.


Portanto, se você possui qualquer um dos sintomas relatados acima, principalmente durante o período menstrual, procure um médico de sua confiança, se possível um especialista em endometriose.


Abaixo um vídeo de videolaparoscopia em paciente com formação nodular em parede de bexiga





Revisão: Dr. Welington Alberto Balla
Pesquisa e Edição: Lívia Lorenzini Lazarini
Publicação: Endometriose Brasil

terça-feira, 28 de junho de 2011

Endometriose Intestinal e Síndrome do Intestino Irritável.


Há algum tempo recebi de minha amiga Luciana um texto sobre endometriose intestinal e Síndrome do Intestino Irritável, conhecida pela sigla SII. Esse texto foi escrito por um médico americano, Dr. Michael D. Birnbaum. Sem dúvida é o melhor texto sobre o assunto que tive oportunidade de ler. É grande, mas vale a pena conferir:


"Quase todas as mulheres que vejo com Endometriose, em um momento ou outro, dizem ter a "síndrome de intestino irritável" ou um "cólon espástico" ou uma dúzia de outros termos freqüentemente usados para descrever os sintomas gastrointestinais para as quais não houve evidente diagnóstico.

As mulheres com endometriose têm frequentemente sintomas gastrointestinais e, até relativamente pouco tempo, estes sintomas foram atribuídos a uma SII (síndrome do intestino irritável), um "cólon espástico", ou para aqueles que como nós, conhece a endometriose, a real participação intestinal da doença em si. 

Ao longo dos últimos anos, tornou-se cada vez mais evidente o envolvimento intestinal em muitas mulheres com endometriose. Em outras palavras, existem reais implantes de Endometriose sobre ou na parede intestinal. A literatura relata uma incidência de envolvimento intestinal variando de 3 a 34%, sendo a média de cerca de 12%. Com base em todos os números, um relatório no New England Journal of Medicine estima que 5% de todas as mulheres têm Endometriose intestinal. 

A Endometriose Pélvica é geralmente (mas não sempre) limitada a pré-menopausa - aquelas mulheres com funcionamento dos ovários. A Endometriose Intestinal é diferente, pois não é raro que apareça em mulheres pós-menopáusicas. 

De fato, quando uma mulher pós-menopáusica desenvolve Endometriose, quase sempre irá apresentar um envolvimento intestinal. Acreditavam, inicialmente, que essas mulheres tinham câncer de cólon ou de reto, pois 70% da Endometriose Intestinal envolve o cólon sigmóide ou reto. 

Também pode aparecer em outras partes do intestino (em ordem decrescente de freqüência) como: apêndice, ceco (a primeira porção do intestino grosso), íleo (a última porção do intestino delgado), e, por último, o cólon transverso. 

As mulheres com Endometriose intestinal muitas vezes apresentam sintomas, mas, na maioria dos casos, o diagnóstico correto não é feito. No intuito de diagnosticar a Endometriose intestinal, é necessário fazer as perguntas certas. Quando as boas questões são colocadas, o diagnóstico é fácil. O diagnóstico geralmente é feito pela história (da paciente), porque raios-X do intestino não mostram a doença e nem outros exames, como a colonoscopia. A Laparoscopia pode ou não demonstrar implantes na parede intestinal, mas o médico tem que saber onde procurar por eles. Os implantes da endometriose na parede do intestino não podem ser detectáveis exceto no momento da cirurgia abdominal aberta. 

Diagnosticar a Endometriose intestinal é relativamente fácil. Uma mulher com Endometriose intestinal vai me dizer que ela tem significativos sintomas gastrointestinais que variam de acordo com seu ciclo menstrual. Os sintomas podem estar presentes apenas no momento do período menstrual ou podem estar presentes todos os meses e piorar durante a menstruação. 

Os sintomas mais comuns incluem: perda de apetite, náuseas (vômitos, mas é raro), diarréia, aumento do gás, inchaço significativo, dor abdominal, dor nas evacuações, dor retal e nítida punhalada. Muitas mulheres também se queixam de obstipação, parece-me que variam de acordo com o ciclo menstrual. A anemia ferropriva pode também ser um indício da presença de Endometriose intestinal. A menstruação associada ao sangramento retal é diagnóstico de Endometriose intestinal. 

Em muitos casos, é óbvio que a mulher tem Endometriose intestinal. Quando ela tem menstruação associada ao sangramento retal ou quando apresenta implantes visíveis de Endometriose no intestino (tanto para o intestino grosso ou intestino delgado) no momento da laparoscopia. No entanto, há um grupo considerável de mulheres que têm todos estes sintomas, mas que não têm sangramento retal e cujas superfícies do intestino parecem normais no momento da laparoscopia. 

Estudos recentes têm mostrado que agora, ao invés de atribuir os sintomas gastrintestinais ocultos à Endometriose, há de fato uma anormalidade intestinal associada que é visto em mulheres com endometriose - anormalidades que não são encontradas em mulheres sem a doença. 

Pesquisadores da Universidade Baylor, em Houston reuniram um grupo de mulheres com diagnóstico de Endometriose para estudar sua função intestinal. Eles notaram que as mulheres com endometriose freqüentemente queixam-se de dor abdominal crônica (não necessariamente limitada à pélvis), náuseas, vômitos, saciedade precoce, inchaço, distensão e alteração de hábitos intestinais. O estudo utilizou alguns testes bastante sofisticados, mas o que ele mostrou é que as mulheres com endometriose têm alteração significativa na ação muscular da parede intestinal. Este tipo de anomalia, muitas vezes com o aumento da freqüência de contrações dos músculos da parede intestinal, nunca foram observados em mulheres normais. 

Curiosamente, eles também mostraram que as mulheres com endometriose tiveram hipoglicemia reativa e tolerância à glicose durante um teste. A taxa de açúcar no sangue caiu para um nível anormalmente baixo, embora com níveis normais de insulina. Isto poderia indicar que as mulheres com endometriose podem ser demasiadamente sensíveis às ações da insulina de tal forma que acabam com baixos níveis de açúcar no sangue para uma determinada quantidade de insulina. Um mecanismo que tem sido proposto é que os nervos (músculos) que ajudam a regular o funcionamento dos intestinos acabam reagindo exageradamente às quantidades de insulina presente.

Como isto acontece, ainda é incerto. No entanto, indicam claramente que as mulheres com endometriose têm sintomas intestinais que não parecem estar relacionados com a real participação da Endometriose intestinal, mas associado a uma anormalidade intrínseca na parede intestinal. Isto imediatamente abre a porta para a noção de que as mulheres que desenvolvem Endometriose tem subjacente anormalidades endócrinas e metabólicas que diferem significativamente das mulheres que não têm Endometriose levando à conclusão de que a endometriose é uma doença muito mais complexa do que simplesmente os implantes de endométrio que surgem em locais aonde não pertencem. 

Muitos dos sintomas enumerados são iguais aos da Síndrome do Intestino Irritável, por isto é fácil perceber a razão pelo qual este rótulo é muitas vezes colocado nestas mulheres. Lembre-se que a SII é considerada uma desordem psicossomática com um componente orgânico. 

No entanto, quando uma mulher me diz que ela tem sintomas que variam de acordo com seu ciclo menstrual, é quase certo ser Endometriose Intestinal." 

Espero que tenham gostado do texto. Vamos divulgar: quanto mais divulgação menos diagnósticos tardios ou erros de diagnósticos.



Edição: Lívia Lorenzini Lazarini
Publicação: Endometriose Brasil

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os 3 tipos de Endometriose

Endometriose (superficial) Peritoneal.

São lesões espalhadas na superfície do interior do abdômen. Podem estar disseminadas atingindo até mesmo o diafragma. Embora sejam superficiais, geralmente estão localizadas sobre órgãos nobres como no intestino, bexiga e ureter e, por isto os cuidados cirúrgicos devem ser bem observados para que se evitem complicações. Os sintomas mais comuns são: cólica, menstruação irregular e infertilidade. O exame clínico não apresenta alterações importantes, o ultra-som não demonstra imagens características e os marcadores que podem sugerir a presença da doença, dosados no sangue (CA125 e SAA) podem ou não estar alterados. O diagnóstico conclusivo e o tratamento é feito pela videolaparoscopia.




 Endometriose Ovariana

A origem provável é de um implante superficial que atinge a face externa do ovário, provoca uma retração para o interior do mesmo e forma cistos. O tamanho dos cistos é variável e causa alterações da anatomia destes órgãos. O diagnóstico é fácil, feito pelo ultra-som. O tratamento quase sempre é cirúrgico por videolaparoscopia. O rigor da técnica cirúrgica utilizada é fundamental para que se evite o prejuízo da reserva ovariana, caso contrário, junto com o tecido do cisto, poderá ser retirado também tecido ovariano com óvulos de boa qualidade podendo levar até à falência ovariana precoce. O cisto pode estar associado a endometriose de outros órgãos formando aderências. Há situações em que a paciente não tem sintomas e o diagnóstico pode ocorrer em um exame ginecológico de rotina. A indicação cirúrgica vai depender do tamanho do cisto entre outras variáveis.




Endometriose Profunda

É a que apresenta sintomatologia mais agressiva comprometendo o bem-estar e a qualidade de vida das pacientes. Pode interferir na fertilidade mesmo quando são usadas as técnicas de Reprodução Assistida. Os implantes alcançam uma profundidade superior a 0,5 cm e envolvem outros órgãos como os ligamentos útero-sacros (que sustentam o útero), bexiga, ureteres, septo reto-vaginal (espaço entre reto, o útero e a vagina) e intestino. Nestes últimos, formam nódulos que atingem o reto, sigmóide, órgãos genitais, vagina e algumas vezes o intestino grosso e íleo (veja figura). A origem mais provável é a metaplasia (significa a transformação de um tecido embrionário em outro diferente).

Diagnóstico: O diagnóstico da endometriose infiltrativa e profunda deve ser suspeitado inicialmente pela queixa clínica. As queixas mais comuns são: a dor profunda e desconfortável na relação sexual, cólicas intensas e, principalmente, as queixas intestinais. Entre estas últimas estão: o inchaço abdominal permanente, a dor, e a dificuldade na evacuação e algumas vezes sangramento pelo reto na época da menstruação.

O médico que examina deve perceber no exame ginecológico de toque vaginal e retal nodulações na região posterior do útero, espessamentos e principalmente dor durante o exame desta região. Caso a doença esteja localizada no intestino em uma região superior, o profissional pode não perceber, mas os exames complementares associados ao histórico clínico da paciente, ajudarão a esclarecer o diagnóstico. Da mesma forma que os outros tipos de endometriose, os exames laboratoriais de sangue chamados de "marcadores" devem ser dosados nos três primeiros dias da menstruação e, embora não garantam o diagnóstico nem a extensão da doença podem ajudar a nortear a pesquisa.

Exames de imagens são fundamentais. Entre eles o ultra-som endovaginal, que deve ser realizado por um profissional experiente. É um ótimo exame pela sua precisão e facilidade. Infelizmente existem poucos médicos com experiência para um diagnóstico preciso. Esta avaliação deve ser precedida por um preparo intestinal que esvazia ("limpa") o intestino, elimina as fezes ajudando a visibilizar as imagens. Quando este exame for insuficiente para a conclusão diagnóstica, recomenda-se a Ressonância Magnética Pélvica e a Ecocolonoscopia. Este último é um exame mais complexo que exige a sedação da paciente, mas ajuda a localizar melhor as lesões e a profundidade delas nos órgãos atingidos. A colonoscopia é mais simples e tem o objetivo de avaliar as lesões que penetram para o interior do intestino.




Fonte: http://www.guiaendometriose.com.br 

Adaptado e publicado por: Endometriose Brasil